"Trancado às sete chaves
Como eu nunca fosse sentir novamente
Preso em algum tipo de prisão do amor
E jogaram a chave fora" - Unbroken - Demi Lovato
Dois anos depois da recuperação de meu pai, nos mudamos para a pequena cidade de Santa Bárbara, dentro de 1 mês, meu pai já tinha conseguido fazer com que vivêssemos confortavelmente, morávamos em uma pequena casa, no centro da cidade, era uma casa de dois andares, era azul, com um portão branco, tinha grandes janelas e um belo jardim nos fundos , havia três quartos, um para meu pai, outro para minha irmã e outro para mim e meu irmão, minha irmã já tinha 15 anos e trabalhava em uma biblioteca para ajudar a manter a casa, mesmo meu pai falando horas e mais horas, todos os dias, que não era necessário que ela trabalhasse, não adiantou, ela foi, e meteu as caras. O tempo se passou e Candace se casou quando tinha apenas 21 anos e Paul saiu de casa aos 19, e eu tinha vontade de sair também, mais era apenas uma criança, só tinha 13 anos, de vez em quando Candace nos visitava com seu marido e Paul também, fiz 16 anos. Essa foi a minha fase “rebelde”, com certeza foi a fase em que deixei meu pai com os cabelos em pé, comecei a fazer amizade com os “Bad boys” da cidade, bebíamos e fumávamos, cheguei a namorar uma menina da escola nessa época, o nome dela era Eliza, mais eu não gostava dela, estava na cara, eu só queria dar um beijinhos aqui e ali, eu e meus supostos “amigos” colocávamos a cidade pegando fogo, roubávamos carros e quebrávamos vidros de janelas, até que um dia fomos pegos pela policia, fomos para delegacia, não fomos presos porque os policiais sabiam que a gente só era um grupo de adolescentes rebeldes querendo enfrentar as leis da cidade, a policia ligou para os pais do pessoal da gangue e o meu eles nem precisaram ligar apenas deram um berro:
DAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAVID.
E assim, veio meu pai, chegou, olhou para mim com aquele olhar duro, e só disse apenas uma palavra: - Vamos.
E assim fomos para casa, quando chegamos lá levei um esporro daqueles e levei alguns tapas pra ver se tomava jeito, até que eu berrei :
- SEU IDIOTA!, SE MAMÃE FOSSE VIVA , NADA DISSO TERIA ACONTECIDO!!!, SE VOCÊ NÃO TIVESSE BEBIDO ELA ESTARIA AQUI!
- VOCÊ SABE QUE FOI UM ACIDENTE!, SUA MÃE MORREU PORQUE FOI UM ACIDENTE!
-EU VOU SAIR DAQUI, SEU POLICIAL DE BOSTA.
E assim peguei minhas coisas e saí de casa, fui para o cemitério me drogar, alguns dias depois voltei pra casa, não acreditei quando vi meu pai no canto da sala, chorando, ele tinha algo nas mãos. Cheguei de fino, ele nem olhou pra minha cara, fui para o meu quarto. Algumas horas ouvi uma batida em minha porta :
- Entre
Falei.
Candace entrou .
- O que você quer?
- Só queria saber se meu irmão estava bem.
- Sim, eu estou, agora já pode sair.
- Nossa, que grosseria. Só queria saber se aquele Daniel de alguns anos atrás ainda mora ai dentro, como você mudou.
- As pessoas mudam Candace, não aja como você se importasse se eu estou bem ou não, você não se importa.
- É claro que eu me importo. Eu quero que você veja que está magoando as pessoas que mais te amam, o seu jeito não é esse.
- Quem é você pra falar como é o meu jeito?, você não me conhece, aliás, acho que nunca me conheceu, eu sou uma pessoa fria, rebelde, eu não sou mais aquele garotinho quieto e inocente, como eu te disse, as pessoas mudam.
- Você não é a.. AH QUER SABER?, você pode ser assim, mais eu só te falo uma coisa, você pode me magoar, magoar o Paul, os teus amigos e até essas tuas namoradinhas, mais não magoe o nosso pai, ele criou a gente, enfrentou barreiras por nós, mesmo nas dificuldade ele sempre quis dar uma ótima vida pra gente, e é assim que você retribui isso?, com berros e xingamentos? Você é um mal agradecido!
Hoje você viu ele chorando, não viu? Isso doeu nele, você acha que a gente também não sente falta dela?, ele nunca vai substituir a mamãe e a gente sabe disso, mais ele tenta, ele tenta tampar este buraco que está no seu coração até hoje, Então, por favor, não magoe ele, ele te ama mais do que tudo.
E assim Candace saiu.
Me pus a chorar e a pensar o quanto fui cruel de ter feito aquilo com meu pai, pensei nas palavras de Candace, e realmente, ela estava certa, eu não era assim, eu não estava me reconhecendo, tomei alguns remédios, e dormi.
A noite, na hora do jantar, me sentei a mesa, e disse:
- Me desculpe pai, me desculpe .
- Tudo bem, eu sei que você não fez por mal.
- Pai, eu te amo.
- Eu também te amo Daniel, ontem, quando você chegou, eu estava com uma foto na mão, você viu?
- Sim, era dela não era?
- Pra falar a verdade não, era uma foto nossa, de nós dois, lembra, que antes do acidente, sentamos no jardim, e tiramos uma foto?, aquela foi a foto mais linda que eu tirei, fiquei observando seu rosto naquela foto por muitas horas, e lembrei o quanto aquele tempo era bom, o quanto você ainda era doce, e que eu ainda conseguia te levantar do chão, e que eu estava morrendo de saudade de você
e que talvez aquele garotinho ali da foto, talvez tivesse ido embora.
- Papai, eu sempre serei o teu Daniel.
Chorei.
- Tudo bem, tudo bem.
A partir daquele dia tudo melhorou. Parei de beber e de me drogar, o meu grupo de amigos mudou, parei de iludir Eliza, voltei a me esforçar nos estudos, e tudo começou a voltar como era antes...

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